VOCÊ SABE O QUE É GASLIGHTING?


Como manipuladores enlouquecem e paralisam suas vítimas

O gaslighting é uma forma de abuso psicológico incisivo e poderoso utilizado por perversos e psicopatas com o objetivo de levar a vítima ao verdadeiro colapso. Para entender melhor, precisamos remontar à origem desta expressão: uma palavra que pode soar estranha ou difícil, gaslighting ou gas-lighting tem sua origem no inglês e seu uso, mais especificamente, de uma peça de nome Gaslight. Traduzida de forma literal, gas, gás e light, luz, nos daria algo próximo a ‘iluminação a gás’. Mas o que isso tem a ver?

No drama da peça, que teve suas adaptações ao cinema, o personagem principal, um marido, utiliza de extensa manipulação psicológica para convencer sua esposa e outras pessoas de que ela está louca. Além de esconder objetos que refere serem perdas dela, o personagem reduz a iluminação alimentada por gás do ambiente, o que é claramente percebido por sua esposa, mas alega com veemência que é imaginação dela, a levando a acreditar que está louca. Daí a expressão gaslighting para se referir a essa distorção dos fatos.

Nesse tipo de manipulação, o abusador subverte uma verdade à sua versão dos fatos, independente do quão precisa é a percepção da vítima. Ele confirma e reafirma que sua versão é a verdadeira com tamanha serenidade e vigor que a vítima passa a desconfiar de seus próprios sentidos.

A primeira coisa a se notar é que gaslighting não é uma simples mentira.

Gaslighting não é uma simples mentira.

Isto é, enquanto uma mentira busca se proteger do outro, o gaslighting tem como meta a recusa da realidade do outro. Ou seja, nega sua percepção e, com ela, sua subjetividade. Daí que se trata de um abuso perverso.

Embora possa parecer, a princípio, que o gaslighting precise de uma manipulação dos sentidos, a exemplo do filme, isso não é sempre verdade. Não é preciso que se esconda um objeto para que seja gaslighting. Na verdade, não é preciso que se faça nada além de sobrescrever uma nova versão de fatos.

Imagine você a cena: você observa uma parede azul. Alguém se aproxima e diz que ela é preta. Você diz que não, ela é azul – você tem certeza! Mas o outro continua insistindo. Então você começa a duvidar. Será?

Num primeiro momento, pode parecer uma bobagem. Afinal, como alguém se deixa convencer? Mas o gaslighting pode ter um início sutil. Além disso, vale destacar o poder de convencimento de abusadores perversos.

Como consequência, uma confusão tóxica se instala na cabeça da vítima. Ela percebe que tem algo errado, mas não pode confiar em seu próprio julgamento. Duvida de si. O nível de estresse começa a subir a níveis vertiginosos e não há escoamento para esta energia a não ser se voltar para si. Sua desconfiança se transforma em desconfiança de si ou culpa e este ambiente pode rapidamente levar ao colapso psíquico ou ao aparecimento de doenças psicossomáticas.

O objetivo desse tipo perverso de manipulação é recusar a subjetividade da vítima, deixando-a paralisada e incapaz de reagir.

O gaslighting é uma estratégia poderosa e devastadora. Ela pode servir tanto defensivamente quando uma forma deliberada de atingir e destruir a vítima. Assim, o abusador psicológico, quando pressionado por algum fato que, por acaso, a vítima possa ter acessado em sua consciência, responderá calma e pacificamente: “eu não estou mentindo. É apenas coisa da sua cabeça”. É a tamanha serenidade que faz uso em sua fala que faz a vítima verdadeiramente desconfiar que possa estar enganada.


“É apenas coisa de sua cabeça”

“É apenas sua imaginação”. “É apenas VOCÊ”. A realidade se distorce frente à vítima, por vezes com auxílio de aliados que o algoz seduz e leva a corroborar sua versão corrupta da realidade. Fica atordoada e confusa e quanto mais tenta rebater as versões subvertidas dos fatos, mais se perde no controle perverso do abusador.

Quando não pode mais confiar em seus próprios sentidos, quando assume e engole toda a culpa venenosa, a vítima mergulha no verdadeiro inferno. Estará, então, amarrada e incapaz de reagir.

Sair desse pesadelo é um trabalho difícil e que não acontece sem o maior dos esforços, mas é possível.

Se você se identifica com esse tipo de abuso, você precisa de ajuda! Procure um profissional de Psicologia! O que você vive deve ser levado a sério e tratado por um especialista.


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