CARTA PARA UM AMOR NÃO CORRESPONDIDO

Olá querido amor,

Eu sei que você está morrendo. Ou será que já não está morto há muito tempo e só eu não vi?

Eu não saberia dizer. Na verdade, talvez eu não tenha aceitado o fato de você nunca nem ter nascido. Mesmo assim, parece que foi bom. Fico com a impressão de que foi bom quando, na verdade, estive sozinho – e me dói admitir isso.

Eu construí nossos sonhos por nós dois. Você, que não fez mais do que deixar algumas migalhas, nunca se importou com isso – mas tampouco deixou de me ludibriar com seu rastro para dentro da sua perspicaz armadilha. Tudo o que prometeu, prometeu apenas da boca pra fora e por puro controle e poder.

Por que me chama, se não pode me amar? Por que manter um pássaro em gaiola se não pode voar ao seu lado? Talvez justamente por isso.

O fato é que investi sozinho nesse amor. Construí, a uma mão só, um castelo e mil maravilhas. Mas maravilha nenhuma se sustenta sendo uma mentira. E de mentira, meu bem, você entende como ninguém.

Me dói saber que nunca vou receber de volta o que dei. Dói porque, meu amor, foi o mais precioso que te dei. E, como se não fosse nada, você desprezou. Mas você simplesmente não pode ser diferente: carece dessa substância que tanto me faz sofrer.

Carece de humanidade.

O vazio que você deixou, mesmo nunca o tendo ocupado, é enorme.

O lado bom disso é que não importa. O lado bom é que, andando sozinho, descobri que tive  forças. E, adivinha só, ainda as tenho!

Eu não preciso mais carregar o seu peso. Não preciso mais esperar no caminho e nem trilhar o seu mapa mesquinho. E, na verdade, nem preciso caminhar quando posso correr ou até mesmo voar.

É, querido amor, obrigado por não ser verdadeiro. Obrigado por ser traiçoeiro e não me dar valor. Porque, meu bem, meu valor sou eu agora quem dou. Não preciso mais me reduzir para caber em seu mundinho.

Pensando bem, esse vazio nunca foi seu. Esse vazio sempre foi meu. E nele eu encontro um amor para chamar de próprio. E nele desenho os sonhos que posso viver só para mim.

Adeus, querido amor não correspondido!

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